Mais de 2.800 cientistas de 130 países se reuniram 15 de janeiro em um fórum virtual hospedado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar lacunas de conhecimento e definir prioridades de pesquisa para vacinas contra SARS-CoV-2, o vírus que causa a COVID-19.
Os profissionais debateram a segurança e a eficácia das vacinas que já estão sendo aplicadas ao redor do mundo e também das vacinas candidatas (em desenvolvimento), maneiras de otimizar o fornecimento ainda limitado e a necessidade de estudos adicionais de segurança.
“O desenvolvimento e aprovação de várias vacinas seguras e eficazes menos de um ano após o vírus (Sars-CoV-2) ter sido isolado e sequenciado é uma realização científica surpreendente”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “A aprovação das primeiras vacinas não significa que o trabalho já foi concluido. Longe disso. Mais vacinas estão a caminho, e devem ser avaliadas para garantir que tenhamos doses suficientes para vacinar a todos", complementou.
Segundo a OMS, naquele momento mais de 30 milhões de doses de vacina já estavam aplicadas em 47 países, a maioria de alta renda, mas "o lançamento global da vacina expôs desigualdades gritantes no acesso a esta ferramenta que salva vidas".
Os especialistas concordaram com a necessidade de realziação de pesquisas sobre a administração das vacinas em diferentes populações-alvo, bem como sobre estratégias de vacinação e calendários de aplicação das vacinas, incluindo ensaios, modelagem e estudos observacionais.
Debateram ainda o impacto das variantes emergentes do Sars-CoV-2 na eficácia das vacinas, o impacto das mesmas na transmissão do vírus e a necessidade de desenvolver uma próxima geração de plataformas tecnológicas para a produção de vacinas.
"O mundo precisa de várias vacinas que funcionem em diferentes populações para atender à demanda global e acabar com a pandemia da COVID-19. O ideal seria termos a fabricação em larga escala de vacinas de dose única que não requeressem rede de frio e que pudessem ser administradas sem agulha ou seringa", comenbtou o professor Mike Levine, ex-diretor do Centro de Desenvolvimento de Vacinas da Escola de Medicina da Universidade de Maryland (EUA).
A reunião foi concluída com um acordo, para estabelecimento de uma plataforma hospedada pela OMS de compartilhamento e coordenação global de informações sobre a eficácia e a segurança das pesquisas sobre as vacinas emergentes. O fórum permitiria aos cientistas compartilhar e discutir dados ainda não publicados em periódicos científicos, além dos já publicados, além de protocolos de pesquisa para aprofundar o entendimento global das vacinas para combater a COVID-19 e a transmissão do Sars-CoV-2.
"A OMS reunirá especialistas de todo o mundo com calendário regular, promoverá pesquisas colaborativas, fornecerá protocolos-padrão e desenvolverá uma plataforma para compartilhar os conhecimentos mais recentes obtidos no campo", afirmou a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan.
Jornalista: Paulo Schueler. Imagem: User6740038, Freepik.